domingo, 18 de outubro de 2009

A lágrima

Ansiosa e tímida
ela quer-se libertar.
Tenta ganhar força,
e mostrar tal qual é.
Tem medo,
e recua;
Tem vergonha
e esconde-se.
Aperta os dentes e cerra os punhos,
numa atitude de coragem.
Mas… ainda não se sente preparada,
para enfrentar o mundo.
A angústia e a nostalgia
apertam-lhe o peito.
Sente-se perdida e desamparada.
Sem nada que a prenda e diga:
“Fica”.
Aventura-se
e espreita.
Trava a respiração:
“ É agora ou nunca!...”
E… solta-se num suspiro profundo
De libertação.
Desliza,
lentamente…
da forma mais cuidadosa
E firme de se mostrar.
No silêncio
cai a lágrima
e com ela o calor da aventura.


Maria Cristina Quartas
1989

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